Assunto: Gaming Gera Violência? Qua Jun 09, 2010 2:21 pm
Já todos fomos confrontados com esta ideia. Existem milhares de teorias, estudos e factos que falam nisto. Ontem vi na SIC Radical um documentário que aconselho a todos os jogadores ávidos de jogos de guerra ou conotados, correctamente ou não, de "violentos". O documentário cujo título me escapa, falava de como a violência juvenil estava a aumentar brutalmente no Japão e os diversos estudos sobre este fenómeno, além das habituais avaliações de especialistas e testemunhos. No cerne do motivo pelo qual um país que tipicamente possui uma taxa de violência baixa estar a sofrer um aumento drástico na violência entre jovens com agressões e mesmo assassinatos, muitos deles macabros foi identificado pelo sentimento de frustração dos jovens Japoneses na sociedade competitiva que estão inseridos. Além da enorme pressão dos estudos, exames rigorosos e horários inflexíveis, não podiam deixar de lado a ideia que os jovens Japoneses são inundados com desenhos animados (manga) e claro os famigerados videojogos. Um dos jovens deu como explicação que os jogos de extrema violência o estavam a influenciar para se tornar menos tolerante. Vários casos apresentados, mostravam uma crueldade e violência crua que foi de imediato apontada aos videojogos. Um exemplo foi o sequestro, tortura, assassinato e decapitação de um jovem por parte de outro que acabou a pendurar a cabeça no portão da escola mencionando que o "jogo começa agora".
Claro que escamoteada estava a influência da cultura guerreira Japonesa, da Yakuza que recruta jovens para as suas causas e a permissividade emocional de um povo tipicamente frio. Mas se fosse mesmo uma questão cultural ou social, não seria o Japão um país violento? Pois... é que logo a seguir vai-se mostrar a escalada de violência que os jogos modernos impõe, cada vez mais sangrentos, cada vez mais realistas e cada vez mais frios...
Se no Japão, sede mundial dos videojogos, se chega a este ponto em que os jogos são realmente a principal fonte de distracção, educação e formação emocional, não se corre o risco de haver aqui realmente um padrão?
Nos Estados Unidos, Columbine assistiu ao maior massacre perpetrado por jovens armados que aparentemente se deixavam influenciar por música, filmes e... videojogos... Hoje em dia, a busca por realismo, pela imersão do jogador não fará que a realidade se misture com a ficção, sobretudo nos mais novos?
Não vamos ser cegos e achar que lá porque nós não nos deixamos influenciar, que os mais novos não sejam levados a crer que matar não é assim tão mau e chega a ser banal... Mas também não é preciso proibir por ser demasiado gráfico, tendo em conta que isso seria mesmo hipocrisia.
Voltando ao documentário que vi ontem, acham mesmo que seja possível que um jovem acabe por matar outro influenciado por videojogos?
Assunto: Re: Gaming Gera Violência? Qua Jun 09, 2010 2:40 pm
Eu vi uma parte desse documentário: ASSASSINOS BANAIS se não estou em erro.
Não te esqueças do facto que os crimes feitos por menores de idade são benevolentemente tratados. Um dos casos em que um miúdo matou outro... ficou um ano no reformatório e depois saiu sem qualquer condicionante.
Toda a criminalidade juvenil emergente levou ao crescimento de movimentos cívicos que pediam penas mais duras para os jovens delinquentes, dissuasoras de comportamentos desviantes.
Tive pena de não ver o documentário todo. Só consegui ver um bocado.
......................................................................................... Chuck Norris begins Call of Duty at 11th prestige...
"Yo Mama so fat that if she played MW2, i would Spawn outside the map..."
Assunto: Re: Gaming Gera Violência? Qua Jun 09, 2010 3:29 pm
"Telejornal"
Não preciso de videojogos para ver violência ou abusos contra os direitos humanos ou algo "moralmente condenável"... basta ligar a TV que todos nós temos ao almoço ou jantar TODOS os dias TODO o ano.
Assunto: Re: Gaming Gera Violência? Qua Jun 09, 2010 6:03 pm
Eu acho que todas as formas de violência deviam ser censuradas nesses telejornais da vida mas POR OPÇÃO. Ou seja, eu devia escolher se quero ou não ver violência na TV, como posso ou não colocar o jogo na consola. O problema neste caso é que os jovens não sabem filtrar as emoções e como tudo é apresentado como banal, não sabem onde está o limite no seu subconsciente.
Assunto: Re: Gaming Gera Violência? Qui Jun 10, 2010 2:52 am
EnGhedi escreveu:
Isso não é de um gajo que se passa da marmita e desata a matar toda a gente?
Exactamente......já agora si gaming origina Violência......porque é que existe este tipo de comentários......
"A game never affected me emotionaly like this part did. "
"such a great part of the game!! rushing home with this beautiful song playing... I LOVED IT!!!! "
"One of the most memorable moments in a video game, is when this song plays and you dash home to your family "
"One of the best moments of videogames. Great work!"
"Riding home, having done what was asked of him... all these feelings... damn, that was one of the best video game moments in a long time for me... I believe the last time was with Ocarina of Time "
Epa estou a ver tds estes gajos como potenciais serial killers..........
Assunto: Re: Gaming Gera Violência? Qui Jun 10, 2010 10:17 am
Eu do meu ponto de vista, não acho que ele se passa da marmita. Aquilo tudo é premeditado, durante semanas ou meses. O rapaz é engenhocas, e demonstra uma capacidade cirúrgica de perceber e lidar com as situações. Consegue sozinho manipular os familiares, o melhor amigo. As pessoas adoram ser hipócritas nas suas morais, e na mesma moeda, são fáceis na redução dos demais aos estereótipos. O tipo apresenta-se como um autista alérgico a pessoas, e funciona - estas psicopatias de embrulho chegam e sobram, para saciar os demais. Afinal, as pessoas não querem saber dos outros (quando não existe nada realmente jocoso, e pontuável na selva urbana), só querem saber dos seus próprios egos: tudo organizadinho em prateleiras, há os bons, os maus e os anormais. Easy, e assim vivem melhor.
O tipo é malabarista social, não é engenheiro social, mas também não é mongoloide, apresenta-se da melhor maneira possível, para encaixar na tal redução automática dada pelos demais. E assim... actua.
Há pessoas que nascem outsiders, e usam as missas dos demais, para esquematizarem a grande táctica, o grande plano da vida: como enriquecer para o resto da vida, sem grandes stresses? Este consegue-o, aproveitando-se do descontentamento de um poeta anarca falinhas mansas (quantos não há por aí?). Quantos adolescentes ou pós-adolescentes mantêm durante década e meia o mesmo discurso de revoltazinha contra o mundo? Contra a sua própria inoperância? Repetem-se com papagaios, vivem disso, alimenta-os terem plateia.
E no final, aqui o rampage, duma forma genial, goza com as nossas expectativas, e os alicerces da sociedade.
Não é um bully, não é um elephant, não é um columbine, é um manual de como se aproveitar desta onda mediática dos serial killers adolescentes e do pessoal pró-activo à ronha do contra.
Não é motivo de orgulho, mas comprime o modo de vida americano, apenas a um click de gatilho, todos morrem com a mesma facilidade, todos são alvos. Ironicamente, todos se vestem e comportam da mesma maneira, todos vão aos mesmos sítios, todos comem nos mesmos sítios, e são estas referências que vão saindo: a sociedade capitalista é isto: robots em filinha, ambientados/anestesiadas à ronha, a maioria nunca saberá que é robot. Genial o Bingo, zombies alinhados, ao som do bingo. O bingo é sobretudo a barra de ouro da sociedade geriátrica americana do norte, nano-mortos com resteas de vida nos ossos frágeis. Estes não precisam da ajuda/libertação das balas, já estão mortos, e Rampage passa-lhes ao lado.
Senti da pior forma, uma rajada de ar fresco num filme asfixiado. É Uwe Boll e trata os humanoides como carne do talho, a analogia em gore-mode é suficiente, para perceber que a barreira entre o bem e o mal é mínima, mas se juntarmos a isso alguma inteligência, teatralidade, frieza com o próximo, acutilância na manipulação, e usurpação do lobby dos pseudo-anarcas-poetas-bloco-de-esquerda-e-revolucionários-das-modas-anti-qualquer-coisa e anti-materialismo-da-ronha, presenciamos uma aterradora verdade: somos induzidos, enganados, mortos pela incapacidade de vermos para lá do trilho dos robots.
E Uwe traz-nos isto, temos os sentidos ocupados nas televisões, telejornais e invejas no mundo profissional, e como descartamos o restante? Com rótulos redutores, com moralidades de pacotilha, com laços familiares que só funcionam com mentiras. A sustentação dá-se...
O resto são maluquinhos da cabeça, são pessoas que não encaixam. E nisto não sentimos, porque estamos terrivelmente seguros, que estes anormais não coexistem porque "longe da vista, longe do coração", e lá no fundo, quem não encaixa é gazeado ou preso, ou escondido num ghetto.
O ego em cadeia, o pensamento em cadeia, os modos assimilados, o castrador "parece bem e o parece mal", a grande tv de ejaculações com mortes e tragédias lá fora, muito longe, em sitios que não existem na nossa vida... está tudo bem. Amanhã há mais.
Uwe desconstroi a nossa REALIDADE, e dá-lhe um novo sentido
Assunto: Re: Gaming Gera Violência? Qui Jun 10, 2010 10:37 am
Eh pá, os jogos não são REALMENTE a principal culpa da violência juvenil, mas como eu já disse, não vamos fingir que somos cegos e achar que não tem a sua cota parte de culpa.
Antigamente, como é um puto conseguia identificar uma arma só de olhar para ela? Eu já vi putos que jogam FPS a manejar armas como profissionais... Tal com um gajo que se mete em simuladores de voo se pegar num avião consegue minimamente voar nele, os jogo preparam de forma crua os jovens para a violência por ACTIVAMENTE fazê-los participar, mesmo que de forma virtual... na verdade é tudo uma questão de experimentação.
Não se pode culpar realmente os jogos, mas não digam que não é uma das fontes de inspiração à violência.
Assunto: Re: Gaming Gera Violência? Qui Jun 10, 2010 10:43 am
“It’s not the size of the dog in the fight, it’s the size of the fight in the dog”
Há gente que nasce assim, e no percurso da sua vida, é potenciada, estimulada a isso, ou então, dá-se um click.
Acredito que haja boas e más pessoas.
Os jogos, como cultura não despoletam violência, porque são uma cultura que implica método, vivência, continuidade (pelo respeito dos demais nessa comunidade).
Os jogos como objecto pontual, para alguém em crise e desiquilibrio, poderão influenciar o que seja na doença da pessoa? Duvido, a doença já lá estava. Trazem ideias quanto muito! Dão motes e sugestões.
Quem pratica violência psicológica ou física, tem que ter um motivo, ou então sofre de psicopatia. Easy.
Jogos, música, filmes, jornais, televisão, radio, são injecções de informação, são media! Só consome media quem quer, e alguns porque não querem (vejam a irresponsabilidade dos encarregados de educação com menores).
É redutor, culpar os jogos. Isto é voltar aos anos 80-90, e dar crédito às politicas de censura da nintendo. É dar aso aos titulos dos jornais sensacionalistas que culpam a musica metal de ser satânica. É dar credibilidade ao histerismo de associações de encarregados de educação contra os maus valores dos salões de jogos. etc etc.
Quem mata, quem fere, quem é violento, é porque tem motivos lógicos ou ilógicos. Pegar nos jogos e usá-los como lobby, não é correcto, não justifica um acto violento.
Há gente desiquilibrada, e se não consegue viver sem ser violenta, é simples, a nossa sociedade previne e actua nestes casos, com as ferramentas do costume.
Assunto: Re: Gaming Gera Violência? Qui Jun 10, 2010 10:50 am
braindead é um filme de inspiração para matar pessoas? ou é humor pegado de forma surreal embutido em gore vermelho vermelhão?
Nem muito nem pouco, ajamos de acordo ao senso comum: os media não são feitos para ensinar e motivar a matar pessoas. Mas que sugerem mortes, e armas, sugerem, senão como encenar o propósito?
Uma simples audição/visualização dum telejornal da tvi em prime-time, coloca isso e muito mais à nossa disposição. E já nem falo do correio da manhã. E afinal têm milhões de clientes diários.
Senso comum. Só um desiquilibrado fará sempre e apenas essa leitura.
A sociedade faz-se para os equilibrados, e não em função dos desiquilibrados. Não em função e reacção ao medo pelos bichinhos do mato. É aberta e não fechada.
Assunto: Re: Gaming Gera Violência? Qui Jun 10, 2010 11:09 am
Mas algum do metal é mesmo satânico, se eles próprios se afirmam satânicos, ou não? lol...
Enfim, Sid, como tu mesmo dizes, são injecções. E são mesmo eficazes. Essa questão de só ler, ouvir ou jogar quem quer é uma zona algo cinzenta, já que a maioria dos jogos são impingidos sem realmente serem da preferência dos mais jovens. Desde sites, revistas e até amigos, é cool jogar jogo X. O puto compra, deixa-se injectar por aquilo tudo e está filado. Um dia, se tiver uma arma ao pé, um gajo o insultar, é como uma memória gravada, aquilo desperta e ele fuzila o bacano como viu em jogo X.
Porque, como eu já disse, ele EXPERIMENTOU esse acto. Uma coisa é leres o jornal ou veres as notícias um gajo todo morto no chão, um acto de violência qualquer, outro é pegares numa arma, aprenderes como manejá-la e abrires fogo sem consequências.
Um estudo que li há uns tempos acerca das questões psicológicas dos veteranos do Iraque, dizia respeito ao facto de eles serem preparados como máquinas de guerra, intocáveis, até jogos jogam para completar a sua destreza. Quando vão para o terreno de batalha, aquilo ainda é um jogo. Mas quando finalmente ou matam alguém ou são feridos, é como uma chamada à realidade e passam-se dos carretos. Depois há a pressão militar para esconder essas feridas, mas é uma bola-de-neve difícil de conter. Regra geral quando voltam a casa tem sempre a imagem dos cadáveres dos gajos que mataram. Isto porque até lá irem é tudo superficial, um jogo, que os torna "super-soldados", quando a merd* acontece, descem à terra e ficam traumatizados... A ideia que tiro disto é que os jogos e outras formas de experiência virtual, adormecem a consciência e a moral, tornam insensíveis os jogadores. E isso é uma porta aberta para actos violentos que, no seu pensamento são actos inimputáveis. Só depois do choque é que vêem que não era bem assim.