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     Crítica Literária "Cem Anos de Solidão"

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    AutorMensagem
    sidsidsid




    MensagemAssunto: Crítica Literária "Cem Anos de Solidão"   Seg Ago 17, 2009 2:27 am







    Tempos
    atrás comecei a ler o livro Cem Anos de Solidão do escritor colombiano
    Gabriel García Márquez. A história se passa numa cidade fictícia
    chamada Macondo, perdida em algum lugar do Caribe. Gabriel García
    Márquez – prêmio Nobel de literatura - é o precursor da escola
    latino-americana de realismo fantástico, seus livros são recheados de
    situações oníricas e fantásticas aliadas aos costumes e cultura
    latino-americana.

    Acabei a leitura e fiquei impressionado com o
    capítulo final, especificamente na forma como o escritor amarra toda a
    história de várias gerações da família Buendía de forma magistral,
    tornado o romance praticamente uma história cíclica. Após a leitura da
    última página no final catártico do livro, voltei automaticamente à
    primeira página somente para me certificar como começava a história e o
    livro envolveu-me. Acabei lendo-o novamente, consecutivamente.

    Quero
    chamar atenção para uma passagem do livro na qual o autor faz a
    descrição de uma relação sexual entre um homem e sua tia. A passagem é
    de um erotismo impressionante, o que me chamou a atenção, visto que não
    se encontram muitos ensaios sobre o erotismo e a sexualidade na obra do
    escritor colombiano. Faz-se necessária uma introdução para entender em
    qual momento da narrativa nos encontramos: Os personagens citados são
    Aureliano Buendía, sua tia Amaranta Úrsula e Gastón seu esposo.
    Aureliano é o filho bastardo de Meme que foi despachada para um
    convento logo após a gravidez e morreu por lá de velhice. Entregue aos
    cuidados da avó por uma freira do convento ele nunca conheceu o mundo e
    permaneceu praticamente escondido da sociedade, fechado dentro de um
    quarto tentando decifrar os antigos pergaminhos do cigano Melquiádes.
    Amaranta que é a irmã mais nova de Meme viveu a infância toda
    aprontando travessuras junto com seu sobrinho Aureliano, pois na época
    tinham praticamente a mesma idade. Quando Amaranta entrou na
    adolescência foi estudar em Bruxelas a capital da moda, era uma mulher
    moderna para o seu tempo e decidiu voltar a morar na cidade de sua
    infância, Macondo, que por essas épocas era um vilarejo perdido e
    empoeirado. Trouxe à tira-colo o marido Gastón, um sujeito fino que
    almejava montar uma companhia de aviação postal naquela cidade perdida.
    Aureliano sonhava e nutria uma paixão secreta pela tia desde a infância
    e a cena se passa no momento em que ele já não agüenta mais tamanha
    ansiedade e embriagado pelo álcool e pela paixão descabida resolve
    tomar o que lhe acredita ser de direito. Amaranta também sempre gostou
    de Aureliano e quando voltou de Bruxelas ficou fascinada pelo homem
    rústico e de ar solitário no qual se transformara o sobrinho, chama-lhe
    de “meu antropófago”. Cabe salientar que Aureliano e Amaranta nunca
    souberam de seu parentesco e moravam os três na mesma casa.

    “Eram
    quatro e meia da tarde quando Amaranta Úrsula saiu do banho. Aureliano
    a viu passar diante do seu quarto, com um robe de pregas delicadas e
    uma toalha na cabeça como um turbante. Seguiu-a quase na ponta dos pés,
    cambaleando da bebedeira, e entrou no quarto nupcial no momento em que
    ela abria o robe e o tornava a fechar espantada. Fez um gesto
    silencioso para o quarto contíguo, cuja porta estava entreaberta, e
    onde Aureliano sabia que Gastón começava a escrever uma carta.
    – Vá embora – disse sem voz.


    Aureliano
    sorriu, levantou-a pela cintura com as duas mãos, como um vaso de
    begônias, e jogou-a de frente na cama. Com um puxão brutal, despojou-a
    do roupão de banho antes que ela tivesse tempo de impedi-lo e se
    aproximou do abismo de uma nudez recém-lavada que não tinha um matiz de
    pele, uma região de pêlos, um sinal escondido que ele não tivesse
    imaginado nas trevas de outros quartos. Amaranta Úrsula se defendia
    sinceramente, com astúcias de fêmea sábia, esquivando o escorregadio e
    flexível e cheiroso corpo de doninha, enquanto tentava destroncar-lhe
    os rins com os joelhos e picava-lhe a cara com as unhas, mas sem que
    ele ou ela emitissem um suspiro que não se pudesse confundir com a
    respiração de alguém que contemplasse o econômico crepúsculo de abril
    pela janela aberta. Era uma luta feroz, uma batalha de morte, que
    entretanto parecia desprovida de qualquer violência, porque estava
    feita de agressões contorcidas e evasivas espectrais, lentas,
    cautelosas, solenes, de modo que entre uma e outra havia tempo para que
    voltassem a florescer as petúnias e Gastón se esquecesse dos seus
    sonhos de aeronauta no quarto vizinho, como se fossem dois amantes
    inimigos tentando se reconciliar no fundo de um lago diáfano. No fragor
    do encarniçado e cerimonioso forcejar, Amaranta Úrsula compreendeu que
    a meticulosidade do seu silêncio era tão irracional que poderia
    despertar as suspeitas do marido contíguo muito mais do que os
    estrépidos de guerra que tentavam evitar. Então começou a rir com os
    lábios fechados, sem renunciar à luta, mas se defendendo com mordidas
    falsas e desesquivando o corpo pouco a pouco, até que ambos tiveram
    consciência de ser ao mesmo tempo adversários e cúmplices, e a brigas
    degenerou numa excitação convencional e as agressões se tornaram
    carícias. De repente, quase brincando, como uma travessura a mais,
    Amaranta Úrsula descuidou da defesa e, quando tentou reagir, assustada
    do que ela mesma tinha feito possível, já era tarde demais. Uma comoção
    descomunal imobilizou-a no seu centro de gravidade, plantou-a no lugar,
    e a sua vontade defensiva foi demolida pela ansiedade irresistível de
    descobrir o que eram os apitos alaranjados e os balões invisíveis que a
    esperavam do outro lado da morte. Mal teve tempo de esticar a mão e
    procurar às cegas a toalha e meter uma mordaça entre os dentes, para
    que não saíssem os gemidos de gata que já estavam rasgando as suas
    entranhas.”




    http://fideoastro.blogspot.com/2008/10/crtica-literria-cem-anos-de-solido.html

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    Crítica Literária "Cem Anos de Solidão"

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